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A Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Caxias do Sul realizou um encontro para discutir a nova gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Central e Zona Norte. A atividade foi conduzida pela presidente da comissão, vereadora Estela Balardin/PT, e contou com a participação do secretário-adjunto da Saúde, Mario Tadeucci, e do diretor da Associação Mão Amiga, Leandro Blume.
O debate ocorreu poucos dias após a transferência da administração das duas unidades para a Associação Mão Amiga, contratada emergencialmente pelo Executivo por 90 dias, em substituição ao Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), antigo gestor das UPAs. A mudança foi motivada por uma série de problemas envolvendo a execução do contrato anterior e dificuldades que impactaram o atendimento à população.
Ao abrir a reunião, a vereadora Estela Balardin destacou o papel fiscalizador do Legislativo e a necessidade de acompanhar de perto os desdobramentos da nova gestão.
“Enfrentamos momentos difíceis e muito desafiadores com a empresa que administrava as UPAs. Trabalhadores tiveram seus salários atrasados, assim como fornecedores. Coisas básicas, mas fundamentais para o funcionamento das unidades. E agora temos o Mão Amiga, que assumiu a gestão há pouco tempo, mas está aqui para dialogarmos”, afirmou Estela.
Representando a Associação Mão Amiga, Leandro Blume detalhou as ações realizadas desde o início das atividades da entidade nas unidades e ressaltou o compromisso com a humanização do atendimento e a valorização dos trabalhadores da saúde.
“O primeiro cuidado que tivemos foi com as pessoas, especialmente com o corpo clínico e os funcionários das UPAs. Foram momentos de muita escuta e troca, e isso diz muito sobre o DNA do Projeto Mão Amiga. Assumimos recentemente a gestão e, nesse meio tempo, tivemos o cuidado de garantir todos os contratos vitais para o funcionamento das unidades”, declarou.
Em nome do Sindiserv, a presidente da entidade, Silvana Piroli, cobrou uma política clara de saúde no município, baseada em uma administração direta e sem terceirizações.
“Tenham um plano de saúde para a cidade, contemplando a atenção primária, a média e a alta complexidade”.
Samanta Nascimento, presidente do Conselho Municipal de Saúde, usou a tribuna para lembrar que o debate sobre a saúde na cidade é antigo e levantou a discussão sobre a municipalização das UPAs.
“Como se cobra de uma empresa terceirizada que anoitece e não amanhece, deixando os usuários sem suporte, sem saber se os profissionais vão atender às demandas?”, questionou Samanta.
Durante sua manifestação, o secretário-adjunto da Saúde, Mario Tadeucci, apresentou informações sobre o processo de transição, os desafios enfrentados pelo município para garantir a continuidade dos atendimentos e as medidas adotadas pela Secretaria Municipal da Saúde para assegurar a estabilidade dos serviços prestados nas duas unidades.
“Nem tudo é caos. Se compararmos a saúde da cidade com a de outras localidades, estamos à frente. Temos, sim, várias coisas para melhorar e, em grande parte, esbarramos em questões econômicas”, explicou o secretário-adjunto.
Segundo Tadeucci, a troca de gestão foi conduzida para preservar o atendimento à população e garantir maior segurança administrativa e operacional às UPAs. Também foram apresentados dados referentes à contratação de profissionais, ao acompanhamento das escalas de trabalho e aos investimentos previstos para o período emergencial.
“Tanto eu quanto o secretário Rafael Bueno estamos abertos ao diálogo e vamos trabalhar juntos pela cidade”, afirmou Mario.
Ao longo do encontro, vereadores e participantes também apresentaram questionamentos sobre o tempo de espera, o dimensionamento das equipes, a situação financeira das unidades e as perspectivas para a futura contratação definitiva da gestão das UPAs.