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A necessidade de manter ações de prevenção ao suicídio durante todo o ano foi destacada por uma representante do Luspe - Instituto de Psicologia, durante manifestação na tribuna da Câmara Municipal. A instituição, que atua há 26 anos em Caxias do Sul e no Rio Grande do Sul, abordou o tema no mês marcado pelo Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro. A manifestação ressaltou o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Orientação Frente ao Suicídio (NOS) e chamou a atenção para o que classificou como “paradoxo da visibilidade”: o aumento do interesse pelo assunto durante o Setembro Amarelo sem que essa mobilização necessariamente se mantenha nos demais meses. “A prevenção do suicídio não pode se resumir a um mês no ano, nem a laços amarelos na lapela”, sustentou.
Durante a apresentação, a representante defendeu que o suicídio seja compreendido como um fenômeno complexo e multifatorial, atravessado por aspectos biológicos, psicológicos, sociais, econômicos e culturais. Conforme dados do Ministério da Saúde apresentados pelo Instituto, entre 2010 e 2024, a taxa de suicídio no Brasil aumentou 50%, chegando a 16.747 mortes em um único ano. A profissional também alertou para os limites de campanhas baseadas somente em mensagens motivacionais e argumentou que a orientação para procurar ajuda precisa estar acompanhada de uma rede pública preparada para acolher a demanda. “Prevenção de verdade é uma ação coletiva”, sintetizou, ao relacionar o cuidado em saúde mental também ao enfrentamento das vulnerabilidades sociais e à garantia de condições dignas de vida e trabalho.
O Instituto Luspe defendeu o investimento permanente no Sistema Único de Saúde (SUS) e o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com estrutura e profissionais capacitados durante os 365 dias do ano. Outro ponto destacado foi a pósvenção, definida como o cuidado destinado às pessoas enlutadas por suicídio, para que familiares e pessoas próximas também recebam acolhimento adequado. Ao concluir a manifestação, a representante reforçou que campanhas devem sensibilizar sem culpabilizar ou ampliar a vulnerabilidade de quem enfrenta sofrimento ou luto. “Cuidar da vida não é um evento no calendário, é um dever ético, técnico e político todos os dias”, complementou.